Foi há 10 anos que Granerud e Pedersen se reuniram para criar o aclamado jogo de ciclismo Flamme Rouge. Simplicidade, emoção e diversão. Um sucesso imediato e que levaria esta dupla a novos voos. Isso aconteceu em 2022, com Heat, uma reformulação das linhas-mestras de Flamme Rouge, mas aplicada ao universo das corridas automobilísticas do século passado.
Retirando de cena uma série de chavões clássicos dos jogos de tabuleiro sobre corridas de automóveis, Heat consegue algo raro. Centrar a experiência na gestão inteligente das cartas e criar um ambiente que é simultaneamente tenso, emocionante e surpreendentemente estratégico, sendo frequentemente apontado como um dos melhores jogos de corridas de sempre.
Para quem gosta do que salta à vista, a identidade visual do jogo ficou nas mãos de Vincent Dutrait, o famoso ilustrador francês, que consegue conferir ao jogo uma estética ao estilo dos anos 60, para muitos, a época dourada das corridas automobilísticas.
Em Heat cada jogador controla um carro através de um baralho pessoal de cartas de velocidade. Em cada turno, escolhe que cartas jogar consoante a mudança em que se encontra. O nome e a mecânica mais importante do jogo giram à volta das cartas de Heat (aquecimento), que representam o esforço extra que o motor sofre quando o jogador força demasiado: ao travar tardiamente, ao abusar da velocidade nas curvas ou ao testar os limites da caixa de velocidades com mudanças bruscas. Estas cartas entram no baralho e enfraquecem mãos futuras. Pior ainda, se precisares de pagar Heat e não tiveres suficiente, o carro sofre um despiste, voltas à primeira mudança e perdes tempo precioso.
O jogo acrescenta ainda elementos como entrar no vácuo do carro à frente (slipstream), aceleração extra (boost) e cartas de stress, criando mudanças de ritmo constantes, muito semelhantes ao que se sente numa verdadeira corrida. Mas isto é só a camada visível de um jogo que é uma verdadeira cebola. Os jogadores mais experientes podem adicionar uma série de módulos que enriquecem a vertente estratégica, como por exemplo: o módulo de garagem, que introduz cartas de melhoria para personalizar o carro, ou o módulo de meteorologia e condições de pista, que alteram o comportamento do circuito e tornam cada corrida diferente.
Heat: Pedal to the Metal destaca-se porque capta a essência das corridas, não apenas a velocidade, mas o equilíbrio constante entre mais controlo ou mais risco. Com uma rara combinação de acessibilidade, tensão e profundidade, há quem já considere este jogo um clássico moderno, e claro, sem nunca esquecer a qualidade de produção impecável.


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