
Martin Wallace é amplamente considerado um dos criadores de jogos de tabuleiro mais influentes da do século XXI, cheio de sucessos na sua já longa carreira com mais de 30 anos e dezenas de jogos publicados. Porém, é quase impossível falar de Martin Wallace e não falar de Brass.
Publicado originalmente em 2007, o jogo transporta-nos para a região de Lancashire, em Inglaterra, durante a Revolução Industrial, um período de profundas transformações económicas e sociais um pouco por todo o mundo. E é neste contexto, de alta convolução que vamos assumir o papel de um empreendedor que procura desenvolver indústrias, construir redes de transporte e gerar lucro através de decisões estratégicas bem calculadas.
Brass obriga-nos constantemente a pensar de forma segmentada, pois toda a jogabilidade assenta numa sua estrutura de duas fases: canais e caminhos-de-ferro. Cada uma destas fases introduz dinâmicas próprias que nos obrigam a adaptar estratégias, ao passo que nos fornecem muitos recursos táticos. Na primeira fase, os canais são essenciais para o transporte de recursos e produtos, enquanto na segunda fase os caminhos-de-ferro substituem essas infraestruturas, alterando completamente o ritmo e as oportunidades do jogo. Uma transição que não é apenas temática, mas também mecânica, exigindo planeamento a longo prazo e capacidade de adaptação. Além disso, o sistema de cartas limita as ações disponíveis, e obriga-nos a tomar decisões difíceis e a otimizar cada jogada.
Como um bom Eurogame que se preze, também em Brass a abordagem à gestão de recursos é determinante. Carvão, ferro e algodão são elementos centrais, e a sua utilização eficiente pode determinar o sucesso ou fracasso de qualquer estratégia. O jogo incentiva a criação de redes interligadas entre cidades, onde o timing das construções é essencial. Isto porque a forma como o jogo promove a interação entre jogadores é muito subtil e engenhosa. Em vez de confrontos diretos, Brass cria uma dinâmica de “cooperação competitiva”, onde podemos utilizar infraestruturas construídas por outros, como minas ou ligações de transporte. Esta faceta gera uma tensão constante, onde cada decisão pode beneficiar adversários, tornando o jogo altamente interdependente e estratégico.
O sucesso de Brass foi acumulando ao longo dos anos, o que levou ao desenvolvimento de versões modernizadas, de onde se destaca Brass: Birmingham, frequentemente classificada entre os melhores jogos de tabuleiro de sempre.
E quem gostar do design elegante e exigente, cheio de mecânicas temáticas e profundamente interligadas, pode esfregar as mãos de contente, pois em breve Brass: Pittsburgh vai juntar-se a esta notável família de jogos, que está bem lá no alto do panteão dos “imperdíveis”.
Ludoinfografia:
Complexidade: 8/10
Duração: 30 min/jogador
Nº de Jogadores: 2-4
Recomendado a partir dos 14 anos


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